|
PAIXÃO,
AMOR E DOR
O
sentimento amoroso pode ser, ao mesmo
tempo, a experiência mais maravilhosa e
mais perturbadora da existência. Todo
tipo de amor pode conter alguma dose de
sofrimento embutida, inclusive o amor
materno ou fraterno. As relações
amorosas são ambíguas, às vezes ficamos
no limite entre amor e ódio; ambos são
separados por uma linha muito tênue que
facilmente pode ser transposta. É
preciso uma boa dose de preparo
emocional para lidar com essas emoções
na medida certa e do jeito certo. É
muito fácil se perder nos seus meandros
e são muitas as armadilhas. Não é por
acaso que a palavra paixão e tem a mesma
origem de pathos, que significa
doença, sofrimento, dor. A paixão de
Cristo foi o estado de sofrimento
intenso sentido por ele ante a
perspectiva da ser crucifixado. Paixão
é, pois, dor emocional, sofrimento não
físico, que ocorre na alma, não no
corpo. Paixão tem também sido definida
como uma ampliação patológica do
sentimento de amor. O indivíduo tomado
de paixão pode perder a capacidade de
raciocínio, de avaliar adequadamente a
realidade, fica tomado pela emoção e age
apenas em função dela. O caso mais
típico de patologia relacionada a esse
sentimento é a paixão obsessiva, na qual
um indivíduo fica obsedado por seu
sentimento pelo outro, independentemente
da realidade ou de haver reciprocidade.
Há circunstâncias que isso se dá de
forma tão intensa e perturbadora que o
próprio indivíduo ou os outros têm a
sensação de que está ficando louco ou
fora de si, agindo de forma totalmente
impensada colocando-se em risco e
sujeitando-se a conseqüências às quais
não se submeteria em seu estado normal.
Pessoas nessa situação podem necessitar
de ajuda terapêutica para superar esse
sofrimento que, do contrário, pode se
prolongar indefinidamente. |