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TRANSTORNO
DE ESTRESSE FINANCEIRO
O estresse
financeiro é, atualmente, um dos principais
fatores geradoras de sofrimento emocional. As pressões que
as pessoas sofrem em função de suas dificuldades
financeiras, muitas vezes, podem acabar
redundando em um verdadeiro transtorno de
mental, com sintomas de ansiedade mais ou
menos intensos, que podem contribuir para o
surgimento doenças físicas e mentais ou
agravamento das já existentes. Atualmente no
Brasil tomar dinheiro emprestado através de
cheque especial, cartões de crédito e
empréstimos pessoais - para satisfazer os
anseios de consumo incentivados constantemente
por campanhas de marketing - tem se tornado um
hábito rotineiro. Infelizmente, a maioria das
pessoas não possui treinamento ou orientação
adequada sobre como lidar com suas finanças.
Muitas vezes, já traz exemplos errados de uma
família na qual o pai e a mãe também não sabem
lidar bem como orçamento doméstico e finanças
pessoais. As escolas normalmente não incluem em
seu currículo o ensino da administração
financeira, ou seja, em nenhum momento as
pessoas costumam receber algum tipo de educação
financeira, com exceção de alguns privilegiados
que, ou possuem algum membro da família com boa
habilitação nessa área ou possuem algum talento
especial próprio para lidar com finanças. O
resultado disso é que boa parte da população
vive atolada em dívidas. Inúmeros estudos
realizados com o objetivo de identificar os
elementos ambientais que contribuem para o
surgimento dos Transtornos Mentais Comuns
(TMC) apontam o estresse financeiro
como sendo um desses fatores capazes de contribuir
para o estabelecimento ou agravamento de
Depressão, Transtorno de Pânico, Fobias,
Transtorno Obsessivo Compulsivo e Transtornos
Alimentares (anorexia ou bulimia). Em um estudo realizado em
Pelotas, Lima e colaboradores observaram uma
prevalência de TMC de 22,7%, que aumentava com a
idade. Nessa população, a presença de eventos de
vida produtores de estresse (EVPE),
estava positivamente associada aos TMC. Em
alguns casos, o estresse financeiro é tão
preponderante que o transtorno decorrente parece
tratar-se de uma nova entidade nosológica com
características próprias, o Transtorno de
Estresse Financeiro, que apresenta
sintomas semelhantes do Transtorno de
Estresse Pós-Traumático ou do Transtorno
de Ansiedade Generalizada. Algumas vítimas,
por exemplo, passam a ter reações de ansiedade ao
atender telefonemas ou abrir a caixa de
correspondência devido à possibilidade de
receber algum tipo de cobrança e a sofrer de
insônia por não conseguir parar de pensar nas
contas do fim do mês ou tendo pesadelos. Esse, no
entanto, não é um problema exclusivo dos
brasileiros. Um estudo realizado na Grã-Bretanha
demonstrou ser o estresse financeiro o
evento de vida mais fortemente associado com TMC.
O estresse financeiro é mais devido a um
determinado tipo de comportamento do que a
fatores externos. Isso caracteriza o Transtorno
de Estresse Financeiro como uma doença
comportamental, que precisa ser tratada
fundamentalmente através de técnicas cognitivas
(reeducação) e de modificação de comportamento.
O comportamento que leva ao consumo compulsivo,
gastos acima do orçamento, dívidas cumulativas,
está diretamente relacionado como estado
emocional. Muitas vezes, o próprio comportamento
de consumo descontrolado é determinado por uma
busca de alívio de ansiedades ou de sintomas
depressivos. No entanto, logo esse remédio se
mostra não só ineficaz como inadequado, levando
mais a um agravamento do que ao pretendido alívio dos sintomas. Assim sendo, o consumo
compulsivo pode adquirir, também, semelhança com
outros comportamentos aditivos, como o jogo
patológico e o uso de drogas psicotrópicas. A
solução passa por um processo de reeducação
emocional e financeira que tem por objetivo
a aquisição da capacidade de realizar um
planejamento financeiro pessoal adequado. Para
superar o sofrimento que o mau gerenciamento das
contas lhe traz é necessário aprender que é
possível adquirir controle sobre sua vida
financeira e até mesmo fazer com que suas
economias sejam suficientes para garantir uma
renda mensal até o final da vida. Viver com uma
reserva suficiente para não precisar se
preocupar com as contas do fim do mês e não
precisar apelar para saques sucessivos no cheque
especial, apelar constantemente para os cartões
de crédito ou buscar desesperadamente por novos
empréstimo, é um fator fundamental para se manter
uma boa qualidade de vida e afastar um dos
grandes fatores causadores de doença de nosso
tempo: o estresse financeiro. |