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TEMPO DO RELOGIO E TEMPO SUBJETIVO

            Os gregos antigos tinham três conceitos para o tempo: khrónos, kairós e aíôn. Khrónos, que também era o nome do Deus do tempo, refere-se ao tempo cronológico, ou sequencial, o tempo do relógio, que pode ser medido, associado ao movimento linear das coisas terrenas, com um princípio e um fim. Kairós refere-se a um momento indeterminado no tempo, que não é previsível, que não pode ser localizado no calendário, um tempo em que algo especial ou extraordinário acontece, o tempo da oportunidade, subjetivo. Aíôn era um tempo sagrado, relativo à eternidade, sem uma medida precisa e sem uma finitude, um tempo da criatividade, do imponderável, o tempo associado à divindade, sem começo, meio e fim.

            Vivemos a maior parte de nossas vidas no Krónos, um tempo cuja passagem nos preocupa, podendo ser fonte de ansiedade, pois está associado à nossa finitude, o tempo que se esvai, que é percebido como fugaz, que escorre fora do nosso controle como a areia entre os dedos, que não pode ser detido, que se não for utilizado imediatamente não volta mais e não pode ser estocado para uso posterior. Se vivermos o tempo todo no Khornos ficamos prisioneiros do relógio, nossas ações e vivências, sentimentos e emoções ficam atreladas à passagem do tempo e fora de nosso controle, podendo causar ansiedade, medo, pânico e desespero, de que passe antes de que consigamos realizar ou alcançar o que desejamos, o que planejamos para nossas vidas.

            Para vivermos as melhores coisas da vida precisamos transitar pelo Kairós, sem preocupação com a passagem de Khonos, abertos às incertezas mas atentos às oportunidades que surgem aleatoriamente, com as quais podemos nos deleitar, com coisas como o belo, a beleza de uma obra de arte, a inspiração poética, o prazer estético, o enlevo da música, o aroma de uma flor, o sabor de uma fruta, o toque de um tecido, o prazer da convivência e do contato com o(s) outro(s), do afeto, do amor, do carinho, do erotismo. Paradoxalmente, é no Kairós, nesse aspecto imprevisível e surpreendente do tempo, que encontramos mais significado na vida, em que vivenciamos as coisas que fazem a vida ser sentida e ter sentido.

            O Aiôn é um tempo que contém apenas uma promessa, que nos foge aos sentidos, que vai além da realidade física, que transcende à nossa existência terrena, mas que nos dá um vislumbre da eternidade, no qual refletimos sobre o que está além do nosso alcance e compreensão, mas que mesmo assim sabemos que existe ou existirá mesmo depois de nossa passagem, que nos fascina ao mesmo tempo que nos assombra, mas que nos dá esperança e certeza do devir, de que algo virá depois de nós.

            Para alcançarmos a tão desejada e sonhada felicidade, ou pelo menos os momentos felizes, precisamos ter a capacidade de transitar livremente, sem medo e sem controle por essas três dimensões do tempo. Querer ter o controle do tempo é o que nos causa infelicidade, ansiedade e sofrimento nos impedindo de viver o que a vida tem de melhor a nos oferecer.

"O tempo é muito lento para aqueles que esperam, muito rápido para aqueles que sofrem,
muito breve para aqueles que se alegram, mas, para aqueles que amam, o tempo é eternidade."

                                                                                                Henry Van Dyke

Rubens Mário Mazzini Rodrigues, MD

Médico Psiquiatra - Porto Alegre - RS - CREMERS 9760
A Psiquiatria para mim, mais do que uma profissão, é um caminho para a realização de meu propósito de vida, que é a dedicação à tarefa de buscar, encontrar e ajudar a desenvolver meios de elevar o nível de consciência da humanidade em geral e ajudar a melhorar a qualidade de vida pessoal e dos relacionamentos humanos, de modo a favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais capaz de valorizar e promover a vida, promover a dignidade humana e, assim, contribuir para incrementar as possibilidades de satisfação, felicidade e realização para todo ser humano. Na minha visão a Psiquiatria vai além de apenas diagnosticar e tratar doenças através de uma abordagem exclusivamente organicista e farmacológica. Procuro praticar a Psiquiatria integrada com a Psicoterapia e quaisquer outras técnicas e práticas que possam contribuir para a promoção da saúde e qualidade de vida. A boa saúde mental é decorrência de um cuidado geral e integrado pela vida em todos os aspectos: orgânico, mental, emocional, existencial e espiritual.
A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".



Rubens Mario Mazzini Rodrigues - Doctoralia.com.br

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