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INÍCIO PRECOCE X TÉRMINO PRECOCE

          A expressão PRECOCE, é usada em medicina com diferentes conotações, podendo se referir a aspectos positivos ou negativos da manifestação e evolução das doenças ou seu tratamento.

        Por exemplo, a esquizofrenia, durante muito tempo, era chamada de Demência Precoce, devido ao fato de se manifestar muito cedo na vida em relação à demência senil. A Doença de Alzheimer, também pode se apresentar de forma precoce, quando ocorre antes da idade esperada para o seu início. Quando uma criança nasce antes dos nove meses previstos para o parto, se diz que teve um nascimento precoce. Por outro lado, quando, em seu desenvolvimento, uma criança alcança etapas antes do tempo, se diz que ela é precoce em relação aquela etapa.

        Em relação ao tratamento, os médicos sempre têm alertado para a importância do Diagnóstico Precoce de qualquer doença, pois isso aumenta as chances de cura e recuperação. A primeira consequência disso é o Início Precoce do tratamento, ou seja, quanto antes for iniciado o tratamento, melhores as chances de recuperação.

        Na saúde mental não é diferente. Pegando o caso da DEPRESSÃO, por exemplo, quanto antes ela for diagnosticada e quanto antes o tratamento foi iniciado, melhor. 

        No caso da DEPRESSÃO, assim como de outros transtornos mentais, um fator que dificulta o diagnóstico e início precoce do tratamento são os preconceitos.

        Em primeiro lugar, há o preconceito de que depressão "não existe", que depressão é "bogabem" ou de que "passa sozinha" com o tempo. Todos falsos!

        Em segundo lugar, há o preconceito de que depressão e outros transtornos mentais são "coisa de louco" e que o Psiquiatra é um "médico de loucos". Crenças obviamente falsas e ultrapassadas.

        A Depressão e os demais transtornos mentais são problemas de saúde como quaisquer outros e, portanto, necessitam tratamento, que deve ser iniciado o mais rapidamente possível. A demora em estabelecer o diagnóstico e iniciar o tratamento leva a um agravamento do problema, o que pode ser evitado, caso esses preconceitos sejam superados. Nesse sentido, é importante entender que a DEPRESSÃO, embora tenha tratamento, caso não tratada a tempo e de forma adequada pode se tornar um problema de saúde GRAVE, capaz de levar a pessoa à incapacidade transitória ou, até mesmo, definitiva. Isso sem levar em conta que é uma doença potencialmente LETAL, pois em muitos casos, um número não desprezível de pacientes de Depressão podem chegar ao suicídio, sendo que o atraso no início do tratamento aumenta esses riscos.

        Não menos importante que o início precoce, que é um fator positivo, é o término precoce do tratamento, que, nesse caso, é um fator negativo. O tratamento só deve ser descontinuado no momento em que for alcançada a reversão total dos sintomas por um período mínimo de tempo.

        Uma analogia que podemos fazer aqui é com o caso das doenças infecciosas. Quando um paciente apresenta um quadro infeccioso o médico prescreve, entre outras coisas, um antibiótico, determinando que o mesmo deve ser usado em determinada dose por um determinado prazo, Mesmo após os sintomas terem desaparecido 

        Por exemplo, se o paciente tem uma amigdalite, popularmente conhecida como "dor de garganta", normalmente, o uso de antibiótico é prescrito por um período mínimo sete dias. Via de regra, após três dias o paciente já está sem sintomas, mas, isso não significa que o tratamento deva ser suspenso, pois, a interrupção PRECOCE do mesmo, poderá causar uma recaída ou reincidência da infecção, com o agravante de que, caso isso ocorra muitas vezes, a amigadalite poderá se tornar crônica, levando muitas vezes à necessidade da extração das amígdalas.

        No caso da DEPRESSÃO, acontece um fenômeno semelhante. A interrupção PRECOCE do tratamento costuma levar a duas situações desagradáveis e indesejáveis: A Síndrome de DESCONTINUIDADE e a RECAÍDA.

        No caso da Síndrome de Descontinuaidade os sintomas são parecidos com os da abstinência de drogas, podendo incluir dor de cabeça, náuseas, tonturas, mal-estar geral, distúrbios da consciência, palpitações, ansiedade, etc. 

        As recaídas, por sua vez, costumam ser cada vez mais graves, podendo também levar à cronificação, com a persistência de alguns sintomas, mesmo quando o tratamento é retomado, pois os medicamentos passam a não ter a mesma eficiência que podem ter em um tratamento PRECOCE e que é mantido por tempo suficiente para que haja a REMISSÃO dos sintomas, de modo a prevenir a recaída. 

        Com a reincidência de reacaídas alguns sintomas podem se tornar crônicos, como, por exemplo, os sintomas deficitários, como é o caso da dificuldade de memória operacional. Isso acontece porque ocorre uma atrofia de um centro cerebral chamado HIPOCAMPO, que é essencial para o funcionamento da memória. Outros sintomas crônicos podem ser a INSÔNIA, a ANEDONIA - que é incapacidade de sentir prazer e alegria - a AVOLIA, que é a dificudade de ação e iniciativa e a ABULIA, que é a dificuldade de tomar decisões.

        O que leva à INTERRUPÇÃO PRECOCE do tratamento são basicamente dois fatores:

        Primeiro, a sensação que o paciente tem de que já está "CURADO" e, que, portanto, não precisa mais de tratamento.

        Segundo, o desejo de não precisar mais tomar medicamentos e, eventualmente, de "economizar" com o custo dos mesmos e com as visitas ao Psiquiatra. 

        Essa é, literalmente, uma dessas situações em que "o barato sai caro", pois, quando houver a reacaída, e ela fatalmente virá, o tratamento deverá ser retomado e mantido por mais tempo e poderá ser necessário o uso de doses mais altas de medicamentos ou, até mesmo, o uso de mais de um tipo de medicamento em associação para conseguir uma resposta satisfatória.

        Portanto, os medicamentos antidepressivos, assim como quaisquer outros medicamentos psiquiátricos, devem ser retirados sempre gradativamente e sob orientação do Psiquiatra, não apenas para evitar esses sintomas de retirada, que podem ser muito desagradáveis, como também para prevenir as recaídas, com todas as suas potencialmente graves consequências.

        Então, jamais caia nessa armadilha de fazer a interrupção ou abandono PRECOCE do tratamento sem o acompanhamento e o aval de seu médico, que é quem poderá avaliar o momento certo de descontinuar o tratamento e a maneira correta de fazer isso de modo a reduzir ao máximo o risco de haver uma recaída.

        Pense nisso, preste atenção a essa recomendação e, lembre-se de alertar outras pessoas a respeito do risco da suspensão PRECOCE do tratamento.

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Rubens Mário Mazzini Rodrigues, MD

Médico Psiquiatra - Porto Alegre - RS - CREMERS 9760
A Psiquiatria para mim, mais do que uma profissão, é um caminho para a realização de meu propósito de vida, que é a dedicação à tarefa de buscar, encontrar e ajudar a desenvolver meios de elevar o nível de consciência da humanidade em geral e ajudar a melhorar a qualidade de vida pessoal e dos relacionamentos humanos, de modo a favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais capaz de valorizar e promover a vida, promover a dignidade humana e, assim, contribuir para incrementar as possibilidades de satisfação, felicidade e realização para todo ser humano. Na minha visão a Psiquiatria vai além de apenas diagnosticar e tratar doenças através de uma abordagem exclusivamente organicista e farmacológica. Procuro praticar a Psiquiatria integrada com a Psicoterapia e quaisquer outras técnicas e práticas que possam contribuir para a promoção da saúde e qualidade de vida. A boa saúde mental é decorrência de um cuidado geral e integrado pela vida em todos os aspectos: orgânico, mental, emocional, existencial e espiritual.
A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".



Rubens Mario Mazzini Rodrigues - Doctoralia.com.br

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