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TRANSTORNOS DE HUMOR E SEU TRATAMENTO

          Os TRANSTORNOS DE HUMOR são causados por uma determinada configuração do sistema nervoso e da personalidade que determina uma dificuldade específica do indivíduo na habilidade de lidar com as variações emocionais e do estado de humor, que são inerentes ao próprio fato de estar vivo. O grau de sofrimento pode ser maior ou menor dependendo de o quanto essa habilidade se encontra perturbada. Por isso mesmo, atualmente, falamos em TRANSTORNOS DO ESPECTRO DO HUMOR, pois existe um largo espectro - assim como  o espectro da cores - ao longo do qual cada caso pode estar situado, desde os mais leves até os mais graves.

          Variações do estado do humor são um fenômeno normal em todo o ser humano, pois, evidentemente, é impossível manter sempre um mesmo estado de humor, visto que esse estado está sempre sendo influenciado por inúmeros fatores, tanto INTERNOS quanto EXTERNOS, que nem sempre estão sob nosso controle, bem ao contrário, frequentemente NÃO ESTÃO. A maioria das pessoas consegue lidar bem com essas variações e consegue manter um EQUILÍBRIO SATISFATÓRIO ao longo do tempo, ou são capazes de reestabelecer o equilíbrio de forma relativamente hábil e rápida a cada vez que sofrem abalos emocionais causados pelos fatos da vida.

          As pessoas que sofrem, ou estão sofrendo transitoriamente, de algum tipo de TRANSTORNO DE HUMOR, seja do tipo UNIPOLAR ou BIPOLAR, apresentam algum grau de disfunção na sua capacidade de HOMEOSTASE EMOCIONAL, ou seja, na capacidade de manter ou restaurar o equilíbrio emocional e o nível de energia vital ao longo do tempo. Para  recuperar ou treinar essa habilidade, essas pessoas podem necessitar de algum tipo de tratamento, que, normalmente, inclui o uso de medicamentos e de psicoterapia, bem como de processsos de re-educação e treinamento emocional. O tratamento dos TRANSTORNOS DE HUMOR é, por natureza, bastante complexo, uma vez que se trata de uma disfunção do controle emocional e do nível de energia vital que envolve múltiplos fatores, incluindo aspectos orgânicos, psicológicos, familiares, culturais e ambientais, que também sofrem mudanças ao longo do tempo. 
 
          Nos TRANSTORNOS DE HUMOR o paciente costuma passar por períodos ou fases distintas: Há episópdios em o paciente que fica muito animado, mais falante, mais alegre, com maior nível energia; e há episódios em tende a ficar mais quieto, com baixo nível de energia, tendendo a querer permanecer isolado, sem querer falar com ninguém, para se poupar das demandas das relações inter-pessoais, com as quais não estão conseguindo lidar adequadamente. 

          Frequentemente ocorre algum grau de dificuldade no controle dos impulsos, o que pode se manifestar na forma de irritabilidade, ataques de choro ou de raiva, algumas vezes acompanhados de agressividade auto ou hetero dirigida, em que o paciente tem dificuldade de controlar os impulsos agressivos contra si mesmo ou contra os outros, o que, nos casos mais graves, pode redundar em auto-mutilação ou causar lesão em outras pessoas e, até mesmo, em casos extremos, em suicídio ou homicídio, o que é muito raro acontecer em pacientes que estão estabilizados através de tratamento regular. As complicações mais severas ocorrem justamente quando o paciente interrompe ou abandona precocemente o tratamento sem orientação médica.

          O tratamento visa tentar ajudar o paciente a alcançar e manter o melhor nível de equilíbrio possível pelo maior tempo possível, o que nem sempre é uma tarefa fácil.  Via de regra é preciso que sejam feitos vários ajustes até se encontrar o esquema terapêutico que funcione melhor para cada paciente. Não existe um tratamento único ou mágico, que funcione para todos, nem um tratamento definitivo, que mantenha o paciente equilibrado indefinidamente, pois depende de como o quadro evolui ao longo do tempo para cada um, o que é influenciado por inúmeros fatores. 

          Tentando fazer uma analogia simples, é mais ou menos como tentar equilibrar dois pratos de uma balança: tem de se ir colocando e tirando pesos de um lado e de outro até encontrar o equilíbrio, levando em conta que se trata de uma balança que não fica parada no mesmo lugar, mas que está sempre em movimento, ou seja, que tem vida própria, além de estar sujeita às intempéries do ambiente. O próprio paciente precisa ir aprendendo a lidar com seus diferentes estados de humor e seus familiares também, para poderem ajudar, pois a ajuda da família é muito importante no tratamento. 

          Atualmente, em função de aspectos culturais, as pessoas tendem a buscar soluções rápidas e fáceis para todos os problemas da vida, o que seria o ideal, mas está longe de ser uma realidade. Com raras exceções - como é o caso de alguns tipos de infecção por micro-organismos - não existem tratamentos rápidos, fáceis e definitivos para a maioria das doenças. Quem sofre de diabetes, por exemplo, precisa tomar medicamentos antiglicemiantes, fazer dieta de baixa caloria, aprender a controlar e equilibrar seus níveis de glicose através do uso equilibrado da dieta e dos medicamentos, desenvolver hábitos de vida saudáveis, evitar o excesso de estresse, praticar exercícios regulares, etc. No caso dos TRANSTORNOS DE HUMOR não é diferente.Na verdade, a  medicação é apenas um aspecto do tratamento, o resto depende de um longo aprendizado, que requer persistência e dedicação. Uma das coisas que dificulta o tratamento é justamente a falta de persistência decorrente da busca de soluções rápidas e fácies, que infelizmente não existem, agravado pelo fato de que, no caso dos TRANSTORNOS DE HUMOR, a falta de persistência é um sintoma comum da própria doença, coisa que também precisa ser alvo do tratamento.

          Não existe, portanto, aquele remédio milagroso que resolve tudo. Embora seguidamente sejam lançados novos medicamentos no mercado com promessas de resultados espetaculares, essas, infelizmente, nunca se cumprem. Tal foi o caso da FLUOXETINA, lançada há várias décadas como sendo a grande solução para a depressão a ponti de ter sido considerada a "DROGA DA FELICIDADE", o famoso PROZAC, atualmente existente sob váriso outros nomes comerciais (FLUXENE, DAFORIN, PSIQUIAL) e como medicamento genérico. É FATO que muitos avanços foram feitos na psicofarmacologia e que hoje temos uma grande variedade de medicamentos que estão sendo cada vez mais aperfeiçoados e mais eficazes, mas que ainda estão longe de ser uma solução única, simples e definitiva.
 
          O tratamento é como fazer um curso para aprender a lidar com as próprias emoções e desenvolver a INTELIGÊNCIA EMOCIONAL. Como em qualquer curso, é preciso empenho e dedicação ao longo do tempo para que as habilidades almejadas sejam adquiridas e possam ser aplicadas na prática.

          Assista também o vídeo no meu canal do Youtube, e, se gostar, deixe seu link e inscreva-se no canal para receber notificações de novos vídeos: https://youtu.be/U3_JRrAp8TU

 

Rubens Mário Mazzini Rodrigues, MD

Médico Psiquiatra - Porto Alegre - RS - CREMERS 9760
A Psiquiatria para mim, mais do que uma profissão, é um caminho para a realização de meu propósito de vida, que é a dedicação à tarefa de buscar, encontrar e ajudar a desenvolver meios de elevar o nível de consciência da humanidade em geral e ajudar a melhorar a qualidade de vida pessoal e dos relacionamentos humanos, de modo a favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais capaz de valorizar e promover a vida, promover a dignidade humana e, assim, contribuir para incrementar as possibilidades de satisfação, felicidade e realização para todo ser humano. Na minha visão a Psiquiatria vai além de apenas diagnosticar e tratar doenças através de uma abordagem exclusivamente organicista e farmacológica. Procuro praticar a Psiquiatria integrada com a Psicoterapia e quaisquer outras técnicas e práticas que possam contribuir para a promoção da saúde e qualidade de vida. A boa saúde mental é decorrência de um cuidado geral e integrado pela vida em todos os aspectos: orgânico, mental, emocional, existencial e espiritual.
A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".



Rubens Mario Mazzini Rodrigues - Doctoralia.com.br

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