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COVID-19 E STRESS PÓS-TRAUMÁTICO

      O Transtorno de Estresse Pós Traumático (TSPT em português ou PTSD em inglês, Post-Traumatic Stress Disorder), originalmente conhecido como "neurose de guerra", pelo fato de ser muito comum em ex-combatentes ou civis que passaram por situações de stress intenso durante uma guerra, é um transtorno psiquiátrico mais comum do que se imagina em pessoas que passaram por situações de stress intenso. Os sintomas podem incluir flashbacks, fenômeno pelo qual o paciente sente como se estivesse revivendo a cena da situação traumática repetidamente, esses flashbacks podem ocorrer a qualquer momento e vem acompanhado de intensa ansiedade, principalmente em situações que fazem lembrar o trauma e durante a noite, causando insônia ou pesadelos repetivos. O paciente precisa fazer um grande esforço para tenta afastar os pensamentos de sua mente, mas isso normalmente é inútil, pois os pensamento surgem e se repetem de modo incontrolável, como no Transtorno Obsessivo (TOC). O TSPT pode atingir qualquer pessoa em qualquer idade, mas costuma ser mais frequente em mulheres do que em homens, sendo também muito comum em crianças. O fato de ser mais comum em mulheres pode estar relacionado ao fato de que é mais comum que passem por situações de abuso ou violência sexual.

      Algumas pessoas que passam por eventos traumáticos podem ficar temporariamente com dificuldade de lidar com isso, mas, com o tempo conseguem superar mesmo sem tratamento. No entanto, em algumas pessoas os sintomas tendem a permanecer e a se tornarem impossíveis de lidar por conta própria, requerendo tratamento psiquiátrico. A demora em procurar ajuda pode fazer com que o transtorno dure semanas, meses ou até anos, tornando-se crônico altamente incapacitante. Obter tratamento depois que os sintomas de TSPT aparecem pode ser crítico para controlar o quadro, recuperar o funcionamento normal e evitar a cronificação do problema. 

      Pandemias de doenças infecciosas trazem consigo um significativo potencial para o contágio psicológico, que tipicamente resulta em medo disseminado, ansiedade e uma gramde variedade de problemas psíquicos, levando inclusive a uma estigmatização de pacientes que adquirem a doença  e pessoas com eles relacionadas. Essa estigmatização é um componente extra no TSPT decorrente da pandemia de COVID-19 que não é comum em outros casos, pois as pessoas amedrontadas ficam temerosas de serem contaminadas e passam a evitar o contato com quem já foi, mesmo que já esteja curado, trazendo um sofrimento extra para a vítima, associado ainda ao medo e sentimento de culpa da própria vítima em contaminar alguém. 

      Foi registrado um grande aumento de TSPT na China após a pandemia de COVID-19 1, Ainda não há estatísticas referentes a outros países e no Brasil, mas os casos estão surgindo diariamente e aumentando, constituindo-se em uma potencial epidemia secundária. A prevalência de TSPT nas áreas mais atingidas pelo COVID-19 na China após trinta dias da eclosão da pandemia foi de 7%, sendo mais comum em mulheres. O grupo de pessoas mais atingido, por motivos óbvios, foi o dos trabalhadores da saúde, o que traz mais um problema adicional, por serem profissionais essenciais na sistuação de pandemia, seu afastamento do trabalho para que possam se tratar é mais difícil pois, de forma compreensível mas não aceitável, há uma resistência maior por parte dos adminstradores dos serviços de saúde em aceitarem a necessidade de afastamento, pois isso causa um prejuízo adicional ao já deficiente quadro de pessoal disponível para o atendimento das vítimas da pandemia.

       Em casos graves o TSPT pode se tornar crônico e podem haver inclusive alterações morfológicas no cérebro causadas por apoptose neuronal (perda de neurônio) em certas áreas, especialmente nas relacionadas ao controle emocional e memória, como a amigda, o hipocampo e o lobo pré-frontal, causando maior incapacitação para o paciente e maior dificuldade para o tratamento:

       

      Os sintomas de TSPT normalmente começam dentro do primeiro mês após o evento, mas algumas vezes podem demorar vários meses ou até anos. Os sintomas causam problemas significativos para as situações sociais ou de trabalho e, inclusive, nos relacionamentos pessoais e familiares, podendo até mesmo interferir na habilidade de realização de tarefas diárias normais. 

      Os sintomas são normalmente agrupados em quatro grupos: memórias intrusivas, evitação, mudanças negativas no pensamento e no humor e mudanças nas reações físicas e emocionai. Os sintomas podem variar ao longo do tempo e de pessoa para pessoa, ou seja, o quadro pode se apresentar com menor ou maior intensidade para cada paciente, não sendo igual para todos.

      Memórias Intrusivas

  • Memórias recorrente e indesejadas do evendo traumático
  • Reviver o evento traumático e suas circunstâncias como se estivesse ocorrendo de novo (flashbacks)
  • Sonhos perturbadores e pesadelos relacionados ao evento traumático
  • Severa reação emocional ou física a algo que relembra o evento traumático

      Evitação

  • Tentar evitar pensar ou falar sobre o evento traumático
  • Evitar lugares, atividades e pessoas que relembram o evento traumático 

      Mudanças Negativas no Pensamento e no Humor

  • Pensamentos negativos sobre si mesmo e outras pessoas 
  • Deseperança em relação ao futuro 
  • Dificuldade de memória, inclusive de lembrar aspectos importantes relacionados ao evento traumático
  • Difficuldade de manter relacionamentos próximos
  • Sentir-se desvinculado dos familiares e amigos 
  • Perda de interesse em atividaes antes prazerosas 
  • Dificuldade em sentir emoções positivas 
  • Embotamento emocional

      Mudanças nas Reações Físicas e Emocionais

  • Estar sempre na defensiva em reação aos perigos
  • Comportamento auto-destrutivo, tal como beber demais, usar drogas, tomar medicamentos em excesso ou dirigir perigosamente 
  • Transtornos do Sono
  • Dificuldade de concentração e atenção
  • Irritabilidade, raiva, ataques de agrassividade por motivos mínimo
  • Risco aumentado de pensamento e comportamento suicida
  • Vergonha e culpa avassaladora - Esse sintomas é proeminente nas vítimas da pandemia de COVID-19 devido ao medo ou culpa de ter transmitido ou vir a transmitir a doença a outras pessoas.

    Contribua para evitar o preconceito e aliviar o sofrimento das vítimas

Fontes:
Prevalence and predictors of PTSS during COVID-19 outbreak in China hardest-hit areas: Gender differences matter
Post-Stress Traumatic Disorder (PTST)

 
Rubens Mario Mazzini Rodrigues - Doctoralia.com.br

Rubens Mário Mazzini Rodrigues, MD

Médico Psiquiatra - Porto Alegre - RS - CREMERS 9760
A Psiquiatria para mim, mais do que uma profissão, é um caminho para a realização de meu propósito de vida, que é a dedicação à tarefa de buscar, encontrar e ajudar a desenvolver meios de elevar o nível de consciência da humanidade em geral e ajudar a melhorar a qualidade de vida pessoal e dos relacionamentos humanos, de modo a favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais capaz de valorizar e promover a vida, promover a dignidade humana e, assim, contribuir para incrementar as possibilidades de satisfação, felicidade e realização para todo ser humano. Na minha visão a Psiquiatria vai além de apenas diagnosticar e tratar doenças através de uma abordagem exclusivamente organicista e farmacológica. Procuro praticar a Psiquiatria integrada com a Psicoterapia e quaisquer outras técnicas e práticas que possam contribuir para a promoção da saúde e qualidade de vida. A boa saúde mental é decorrência de um cuidado geral e integrado pela vida em todos os aspectos: orgânico, mental, emocional, existencial e espiritual.
A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".



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