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Pensamentos Intrusivos Indesejados

A maioria das pessoas têm, uma ou outra vez. pensamentos indesejados que surgem na mente espontaneamente e de forma inesperada. Muitas vezes são pensamentos totalmente contrários à escala de valores da pessoa e incompatíveis com a imagem que o indivíduo tem de si mesmo. Podem ser pensamentos depreciativos ou agressivos em relação a si mesmo ou em relação a pessoas da família, pensamentos de cunho sexual perturbadores ou de fazer algo mau para alguém. Em geral as pessoas se assustam com esses pensamentos e evitam falar sobre eles, guardando para si, o que é um equívoco. Isso pode ter um alto custo emocional, pois, em geral, as pessoas se sentem culpadas, confusas, desorientadas, sem conseguir entender como puderam pensar aquilo, muitas vezes pensando que devem até mesmo se punir de alguma forma ou que são más pessoas por terem aqueles pensamentos, pois a tendência é a pessoa se sentir totalmente responsável pelos pensamentos que lhe ocorrem, que, de modo geral, são vistos como sendo próprios. No entanto, se formos perguntar às pessoas vamos descobrir que pelo menos 90% delas costumam ter pensamentos indesejados. Alguns desses pensamentos são preocupações a respeito de erros que possam ter sido cometidos, tal como deixar a porta destrancada ou ter esquecido de desligar o gás ou apagado a luz, sem que necessariamente a pessoa sofra de um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Alguns pensamentos podem ser sobre atos de violência durante uma relaçãos sexuais, atirar uma criança pela janela ou de pular em frente de um ônibus. A maioria das pessoas que têm esse tipo de pensamentos consequem desconsiderá-los sem maior dificuldade.


Uma pesquisa encontrou que cerca de 60% das pessoas referem o pensamento de jogar o carro para fora da estrada, 46% tem pensamentos de ferir algum membro da família, 36% pensam em empurrar um estranho de forma fatal, cerca de 6% referem ter pensamentos de ter sexo com animais, 19% dos homens e 7% das mulherer referem pensamentos de ter relações sexuais com menores ou crianças, ou de forçar um adulto a ter relações com ele (38%) ou com ela (22%). A maioria das pessoas não precisa fazer muito esforço para afastar ou evitar esses pensamentos, nem pensam em evitar situações que os desencadeiam. Ainda não está bem claro por que temos esse tipo de pensamentos, uma teoria é de que essa é uma forma de o cérebro tentar encontrar a solução de problemas na forma de uma espécie de "brain storming", de modo que pensamentos estranhos podem surgir como possibilidades de solução para alguma dificuldade adaptativa, como, por exemplo, agredir ou tirar a vida de uma pessoa que está nos incomodando de alguma forma. O cérebro é um mecanismo de busca de soluções para os problemas da vida e, nessa tarefa, trata de aventar todas as alternativas possíveis, no entanto, é nossa consciência, orientada por nossos valores morais e éticos que vai decidir quais delas são adequadas e socialmente viáveis. Pensamentos por si só não são capazes de fazer mal a ninguém, a não ser ao prórpio indivíduo, caso os leve muito a sério e se preocupe demais com eles. Existe uma longa distância entre ter um pensamento e realizar uma ação. Entre o pensamento e a ação existem uma série de mecanismos inibidores e moderadores que nos fazem postergar a ação e pensar melhor sobre o que fazer antes de decidir tomar uma atitude. Se fossemos criminalizar as pessoas ppr seus pensamentos todos nós seríamos criminosos. Atualmente, temos um problema adicional em relação a isso, que são as mídias sociais. Muitas vezes as pessoas cedem ao impulso de se manifestar seus pensamentos sobre algum sentimento impulsivo inadequado e depois se arrependem. A palavra dita ou escrita vai além do pensamento e trás complicações a mais, pois podem influenciar o pensamento e o comportamento de outras pessoas além de poderem ser mal interpretados. Podemos fazer uma analogia com um jardim, no qual surgem plantas que queremos preservar e ervas daninhas que são indesejadas, nosso trabalho é como o de um jardineiro, que trata de preservar, cuidar e cultivar as plantas bonitas e eliminar os inços e ervas daninhas, trabalho que precisa ser permanente, pois novas ervas daninhas vão estar sempre surgindo no nosso jardim, assim como pensamentos ruins em nossa mente.


A própria ideia de que ter pensamentos indesejados é anormal pode por si mesma causar dano à saúde mental de uma pessoa, pois nossa saúde mental também pode ser afetada pela maneira como pensamos sobre nossos próprios pensamentos. Pessoas perfecionistas ou excessivamente preocupadas tendem a pensar que devem ter total controle sobre seus pensamentos, de modo que tendem a se julgar negativamente devido a terem pensamentos indesejados. Isso pode favorecer o surgimento de problemas de saúde mental. Em alguns casos esses pensamentos se tornam muito recacitrantes e se constituem em sintomas de TOC, por exemplo, que pode nescessitar tratamento psiquiátrico. Isso ocorre quando a pessoa se sente excessivamente responsável por tudo o que surge em sua mente e que isso tem implicações em seu valor como pessoa ou caráter, de modo a tentar escondê-los ou evitá-los de todas as formas possíveis, inclusive através de rituais obsessivos ou comportamento evitativo, desenvolvendo uma associação entre pensamento e ação que adquirem a forma de padrões repetitivos. Conversar com outras pessoas sobre pensamentos indesejados pode ter um efeito protetor sobre a saúde mental ou não, dependendo do tipo de ração e julgamento que a outra pessoa fará e de seus preconceitos. Portando, o ideal é compartilhar os pensamentos com um profissional de saúde mental, psiquiatra ou psicólogo, que vai estar devidamente preprado para ajudá-lo a lidar com eles de forma saudável e adaptativa. Se não pudermos discutir honestamente sobre as experiências próprias de nossa condição humana sem sermos julgados e condenados por isso temos mais chance de nos sentirmos seres anormais e adoecer por isso. Precisamos descobrir e encorajar formas mais abertas e sensíveis de comunicação capazes de viabilizar uma atitude mais empática e compreensiva em relação aos outros e podermos desenvolver relações afetivas mais saudáveis, inclusive sobre nossa condição humana comum, na qual estamos sujeitos às mesmas intempéries de quem, como se diz popularmente, está "no mesmo barco", inclusive na forma de nos comunicarmos através das modernas redes sociais, um fenômeno que veio par ficar e passpou a fazer parte de nosso dia-a-dia acrescentando-se e incorporando-se inevitavelmente ao largo espectro de experiências humanas possíveis. Podemos, inclusive, encontrar formas de utilizar o potencial de comunicação das redes sociais para contribuir com melhores formas de comunicação. Já existem muitas pessoas trabalhando nesse sentido atavés da pesquisa de aplicações da teoria do comportamento e aprendizado social, a qual propõe que novos comportamentos podem ser adquiridos atrvés da observação e imitação dos demais. Nessa esteira estão surgindo novas  formas de modelagem do pensamento e do comportamento social humano como a Neurolinguística (PNL) e a Comunicação Não-Violenta (CNV), entre outras. Mas esses são assuntos para uma outra ocasião.

Rubens Mário Mazzini Rodrigues, MD

Médico Psiquiatra - Porto Alegre - RS - CREMERS 9760
A Psiquiatria para mim, mais do que uma profissão, é um caminho para a realização de meu propósito de vida, que é a dedicação à tarefa de buscar, encontrar e ajudar a desenvolver meios de elevar o nível de consciência da humanidade em geral e ajudar a melhorar a qualidade de vida pessoal e dos relacionamentos humanos, de modo a favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais capaz de valorizar e promover a vida, promover a dignidade humana e, assim, contribuir para incrementar as possibilidades de satisfação, felicidade e realização para todo ser humano. Na minha visão a Psiquiatria vai além de apenas diagnosticar e tratar doenças através de uma abordagem exclusivamente organicista e farmacológica. Procuro praticar a Psiquiatria integrada com a Psicoterapia e quaisquer outras técnicas e práticas que possam contribuir para a promoção da saúde e qualidade de vida. A boa saúde mental é decorrência de um cuidado geral e integrado pela vida em todos os aspectos: orgânico, mental, emocional, existencial e espiritual.
A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".

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