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Transtornos de Humor e Abuso de Substâncias

          Além de serem dois dos transtornos mentais mais comuns os Transtornos de Humor , como Depressão Maior (DM) e Transtorno Bipolar (TB), e os Trantornos por Abuso de Substâncias (TAS) - como atualmente são classificadas as Dependências Químicas - cada vez mais vêm se apresentando de forma conjugada. Se, isoladamente, cada um desses transtornos já causa prejuízos significativos para os pacientes e traz grandes desafios para o seu diagnóstico e tratamento, a combinação de ambos traz prejuízos ainda maiores e se tornam um grande desafio para os profissionais de saúde mental que lidam com esses problemas.
          A relação entre os dois problemas é uma complexa via de duas mãos. A presença de um Transtorno de Humor por si só, especialmente o Transtorno Bipolar, já é suficiente para aumentar o risco de o paciente desenvolver também uma Transtorno de Abuso de Substências, enquanto a presença de um Transtorno de Abuso de Substâncias aumenta o riso de desenvolver um Transtorno de Humor, especialmente o Transtorno Bipolar.
          Os estudos apontam para uma associação média de Transtorno de Abuso de Substâncias de cerca de 30% com Transtorno Bipolar e em torno de 14% com Depressão Maior. Assim como o Transtorno de Humor faovrece o aparecimento do Abuso de Substâncias o uso de substâncias aumenta o risco da manifestação de um Transtorno de Humor subjacente.
          Pacientes com essa associação apresentam uma evolução pior. O uso de substâncias antecipa e agrava o desenvolvimento de transtornos de humor e, possivelmente, funciona como um fator desencadeante importante, sem o qual o Transtorno de Humor talvez nunca viesse a se apresentar. A presença do Abuso de substâncias também leva a uma menor aderência (busca e continuidade) ao tratamento, levando a abandonos frequentes do tratamento, uma necessidade maior de atendimentos de emergência, uma necessidade de internações psiquiátricas mais frequentes e um aumento do risco de suicídio. O Abuso de substâncias também torna mais difícil e mais demorada a recuperação dos episódios de Transtorno de Humor podendo, inclusive, mascarar a presença de um Transtorno de Humor, o que faz com que o início do tratamento seja postergado.
          O diagnóstico é complexo, pois sintomas de humor frequentemente aparecem em pacientes em tratamento para Abuso de Substâncias, tanto no estado de intoxicação como em estado de abstinência. As evidências apontam para o fato de que cerca de 40% dos pacientes que buscam ajuda por Abuso de Substâncias também sofrem de algum Transtorno de Humor.
          Múltiplos e complexos são os desafios no dignóstico e tratamento desses casos. Alguns fatores funcionam como sinal de alerta para a presença de Abuso de Substância em pacientes que apresentam Transtorno de Humor: 
  1. - História familiar de abuso de substâncias ou história de problemas legais tipicamente associados ao uso de substâncias, tais como agressividade doméstica.
  2. - Problemas de saúde anteriores relacionados com uso de álcool ou abuso de substâncias.
  3. - Queixa de dores crônicas.
  4. - Múltiplos problemas de relacionamento.
  5. - Múltiplas perdas e mudanças de emprego e abandono dos estudos e atividades de lazer esportivas em jovens.
          A demora em diagnosticar a presença de um Transtorno de Humor no período de abstinência e início do tratamento pode aumentar o risco de recaída e, inclusive, o risco de suicídio.
          O tratamento adequado do problema requer uma abordagem multidisciplinar que deve incluir tratamento Psiquiátrico, com uso de medicamentos e Psicoterapia, com abordagens individuais e grupais, uso dos recursos da comunidade, participação em grupos de apoio mútuo, etc. Nos casos mais graves pode ser necessária a internação psiquiátrica e o encaminhamento a participação em Programas de Reabilitação e Prevenção de recaída de longo prazo em regime de ambiente protegido.
 
REFERÊNCIAS
 
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http://www.doctorsreview.com/articles/depressive-disorders-and-co-occurring-substance-us

Rubens Mário Mazzini Rodrigues, MD

Médico Psiquiatra - Porto Alegre - RS - CREMERS 9760
A Psiquiatria para mim, mais do que uma profissão, é um caminho para a realização de meu propósito de vida, que é a dedicação à tarefa de buscar, encontrar e ajudar a desenvolver meios de elevar o nível de consciência da humanidade em geral e ajudar a melhorar a qualidade de vida pessoal e dos relacionamentos humanos, de modo a favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais capaz de valorizar e promover a vida, promover a dignidade humana e, assim, contribuir para incrementar as possibilidades de satisfação, felicidade e realização para todo ser humano. Na minha visão a Psiquiatria vai além de apenas diagnosticar e tratar doenças através de uma abordagem exclusivamente organicista e farmacológica. Procuro praticar a Psiquiatria integrada com a Psicoterapia e quaisquer outras técnicas e práticas que possam contribuir para a promoção da saúde e qualidade de vida. A boa saúde mental é decorrência de um cuidado geral e integrado pela vida em todos os aspectos: orgânico, mental, emocional, existencial e espiritual.
A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".

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