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Gritar ou não gritar. Eis as questões!

De acordo com o dicionário grito é definido como "um som penetrante, voluntário ou espontâneo, articulado ou não, e emitido com força pela voz humana; berro, brado".

Há muitas circunstâncias da vida em que sentimos vontade de gritar ou somos induzidos ou convidados a gritar. O grito pode ser uma manifestação de dor ou de prazer, de alegria ou de tristeza, de celebração ou desabafo, pode ser uma manifestação de amor ou de ódio, de júbilo pela vitória ou desilusão diante da derrota ou até mesmo de um povo heroico um brado retumbante de liberdade, como consta em nosso Hino Nacional. O grito também pode ser individual ou coletivo. Em resumo, gritar é um ato legitimamente humano que serve para expressar de forma contundente alguma forte emoção, seja ela positiva ou negativa, consciente ou inconsciente. O grito pode ser expontâneo ou premeditado, pode ser uma reação emocional do momento ou um padrão de funcionamento, até mesmo uma estratégia deliberada de ação. Algumas pessoas têm mais facilidade em gritar ou de se expressar a través do grito, outras têm mais dificuldade ou podem até mesmo apresentar algum grau de bloqueio dessa capacidade devido a timidez, medo ou excesso de repressão. Para algunas pessoas o grito pode se tornar uma forma comum expressão ou se tornar uma espécie de padrão na sua forma de se comunicar. Todos conhecemos pessoas que adquirem fama de gritonas por que gritam por qualquer motivo, com o sem necessidade. Por falar em necessidade, talvez essa seja a grande questão quando se trata de grito. O grito pode ser necessário ou desnecessário, conveniente ou inconveniente, útil ou inútil, produtivo ou contraproducente, dependendo do resultado que se espera dele ou do efeito que irá causar nos outros. O fato é que, na maioria das vezes, não estamos conscientes de nossas motivações aos nos expressar através do grito. Isso nos leva naturalmente à conclusão de que, em boa parte das vezes, não temos controle sobre o grito e que ele, frequentemente, é produto de alguma forma de descontrole ou falta de controle. A questão, então, passa a ser, até que ponto ou em que circunstâncias o grito deve ser liberado ou controlado? Ninguém tem dúvida, por exemplo, de que gritar "Goooooool" quando nosso time marca um tento é um grito legítimo, automático e que se trata de uma manifestação legítima de alegria, comemoração e júbilo pela vitória. Um torcedor que não consiga gritar "Gooooool" nesse momento certamente deve sofrer de algum tipo de bloqueio emocional. repressão social ou distúrbio do aparelho fonador. Em situações de emergência um grito de alerta, tal com Fogo!, Cuidado!, Pega ladrão!, pode ser uma atitude salvadora. Por outro lado, poucos irão discordar, de que utilizar o grito como forma de comunicação nas relações interpessoais, seja entre pais e filhos, marido e mulher, patrão e empregado, seja, na maioria das vezes, uma forma inadequada, contraproducente e indesejável. Existe o pressuposto de que com a maturidade emocional as pessoas adquiram também uma maior capacidade de controle emocional, o que é em parte verdadeiro. A maturidade emocional, no entanto, pode ocorrer de forma desqeuilibrada e pode estar prejudicada por diversos fatores, desde a cultura e educação básicas (que pode incluir a formação religiosa) passando pelo treinamento pessoal e profissional. O uso do grito de forma indiscriminada pode ser produto de má educação, fatores culturais, de mau preparo ou despreparo emocional, do sistema de crenças ou, até mesmo, ser sintoma de algum transtorno mental. A educação básica precisa incluir uma série de interdições ou limites que, normamente, são ou deveriam ser uma função parental. Ao dizer "não grite" ou "fale mais baixo" em determinadas circunstâncias, o pai, a mãe ou outra figura parental está dando uma mensagem clara à criança de que de que, naquela dada circunstância, gritar ou falar alto é inadequado. A criança que recebe esse tipo de educação de forma apropriada, provalmente terá mais chances de ser bem sucedida em suas relações interpessoais no futuro. Existem, eventualmente, aspectos micro ou macro culturais envoividos nessa questão. Em algumas culturas é mais comum as pessoas se comunicarem gritando ou falando alto. Em algumas famílias falar alto ou gritando pode fazer parte da cultura familiar. Ao mudar de ambiente essas pessoas podem ter de aprender a controlar suas tendências e se adaptar ao meio em que se encontra. Outro aspecto é o sistema de crenças. Algumas pessoas, por exemplo, podem ter a crença de que gritar ou falar alto é uma forma válida de impor respeito. Outras podem ter a crença de que as pessoas só funcionam na base do grito - o que até pode ser verdadeiro em casos específicos, mas não pode ser generalizado - e assim por diante. Já, quando falo em despreparo emocional estou me referindo a algo que diz respeito a um mau treinamento ou falta de preparo adequado para lidar com determinadas situações próprias de uma determinada atividade profissional. Por exemplo, um professor que não sabe lidar com as dificuldades de aprendizado u de comportamento dos alunos e tenta manejá-los através do grito ou um encarregado de alguma função de chefia que, para impor medo ou respeito, trata os subalternos através de gritos. Outra possibilidade já citada é de que o grito seja produto de descontrole emocional determinado por algum tipo de transtorno mental. Existem muitas doenças mentais, que tem entre suas manifestações o descontrole emocional ocasional ou rotineiro. isso pode ocorrer devido desde um simples problema de imaturidade emocional, como também a muitas outras entidade nosológicas, tais como transtornos de humor, transtornos de ansiedade, transtornos de atenção e controle de impulsos, transtornos psicóticos, transtornos de personalidade, etc. Nesses casos é necessário uma avaliação e diagnóstico adequado para que seja instituído um tratamento capaz de ajudar o paciente a obter um maior controle sobre suas manifestações emocionais e que favoreça o estabelecimento de relações interpessoais mais saudáveis e funcionais. 

Seja como for, ter um bom nível de autocontrole e ter a capacidade de poder decidir conscientemente quando usar ou não o grito como forma de expressão é sinal de maior maturidade emocional de saúde mental.

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A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".

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