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10 DÚVIDAS COMUNS SOBRE ANTIDEPRESSIVOS

              O uso de medicamentos antidepressivos vem se tornando cada vez mais comum nas últimas décadas e suscita uma série de dúvidas e questionamentos. As perguntas a seguir são as que mais comumente surgem na mente das pessoas. É sempre importante que os pacientes procurem tirar todas as dúvidas a esse respeito com seus médicos. As questões e respostas aqui colocadas não pretendem ser completas e taxativas, mas podem servir como ponto de partida para iniciar uma conversa franca sobre o assunto com seu médico.

            1. Os antidepressivos causam dependência?

              Não. Diferentemente de outros medicamentos, os famosos "tarja preta", os antidepressivos não causam dependência e síndrome de abstinência. No entanto, alguns antidepressivos podem causar o que se chama de sindrome de descontinuidade, que se caracteriza por alugns sintomas físicos que podem surgir após a retirada abrupta do medicamento, tais como tontura, distúrbios visuais, sensação estranhas na cabeça (parestesias), que podem ser muito desagradáveis e perturbadoras. Portanto, o medicamento nunca deve ser descontinuado sem orientação médica e deve sempre ser retirado gradualmente, com redução lenta e progressiva da dose utilizada até a retirada completa. Outro risco da supensão precoce é a a possibilidade de rebote ou recaída na depressão, que pode ser muito perigosa, pois pode, em alguns casos, vir acompanhada de ideação e risco de suicídio.

              Então, os dois conselhos importantes aqui são:

1) Não espere o medicamento acabar para visitar seu médico e dar continuidade ao tratamento.

3) Não suspenda o tratamento sem orientação e acompanhamento de seu médico.

            2. Os antidepressivos vão alterar minha personalidade ou meu jeito de ser?

              Não. Os antidepressivos não induzem mudança na personalidade ou identidade dos pacientes. Você não vai se tornar outra pessoa ou uma pessoa "diferente" por estar tomando antidepressivos. O que pode acontecer é que volte a ser e agir da maneira que costumava ser antes de passar a sofrer de depressão. Em alguns casos pode ocorrer de o paciente sentir uma sensação de indiferença, muitas vezes descrita como não estar "nem triste nem feliz". Isso pode acontecer com algumas pessoas em relação a alguns tipos de antidepressivos, especialmente os que agem apenas sobre o sistema serotoninérgico. Nesse caso isso deve ser relatado e discutido com o médico assistente para que seja buscado um esquema terapêutico mais adequado, que muitas vezes pode incluir a troca de medicamento ou o uso de dois antidepressivos de classes distintas que tenham ação complementar. Não existe uma regra em relação isso, depende de cada caso em particular, pois as pessoas são diferentes umas das outras e apresentam respostas também diferentes a cada medicamento.

            4. Terei de tomar antidepressivos por toda a vida?

              O objetivo do tratamento sempre é a remissão completa, ou seja, a eliminação total dos sintomas de depressão de modo que a pessoa retorne ao seu estado normal o mais rápidamente possível. O tempo que vai levar para isso acontecer depende de cada caso. Os antidepressivos de modo geral não apresentam uma resposta imediata, levando, em média uma ou duas semanas para começar a agir, sendo que alcançam pico de ação após um ou dois meses. Normalmente o médico inicia com dosagens mais baixas e vai aumentando gradativamente até alcançar a dose eficaz para cada paciente, levando em conta também a tolerância em relação aos possíveis efeitos colaterais. Normalmente o tratamento precisa ser mantido por um período de seis a doze meses antes de iniciar a retirada. Como a depressão pode ser do tipo recorrente, muitas vezes pode retornar algum tempo após a interrupção, tornando necessária a retomada do uso da medicação. Alguns casos mais graves, que se tornam crônicos, podem necessitar uso de medicação por muitos anos ou até mesmo por toda a vida. O mais importante para prevenir esse tipo de coisa é que o tratamento seja iniciado o mais precocemente possível e seja mantido pelo tempo mínimo necessário para a remissão completa. Muitas vezes a demora em buscar ajuda médica ou a interrupção precoce do tratamento sem orientação do médico ou o uso em dose subclínica, abaixo da necessária para a remissão completa, são fatores que podem levar à cronificação.

            5. Quais são os possíveis efeitos colaterais dos antidepressivos?

              Os efeitos colaterais variam muito de acordo com o tipo de antidepressivo utilizado e de acordo com a tolerabilidade de cada paciente, podendo variar também de acordo com a dose utilizada. Via de regra os efeitos colaterais são mais proeminentes nas primeiras semanas de uso e vão diminuindo e desaparecendo à medida que o organismo vai se adaptando. Existem algumas medidas que podem ser tomadas para reduzir a incidência de para-efeitos, uma delas é o uso de dose inicial baixa e ir aumentando gradativamente, especialmente em pessoas mais sensíveis. O importante é não interromper simplesmente a medicação devidos aos efeitos colaterais e relatar os mesmos imediatamente ao seu médico para que ele tome as medidas cabíveis. Existem para-efeitos de curto prazo e de longo prazo. Alguns dos possíveis efeitos colaterais de curto prazo são: náusea, tremor, dor de cabeça e insônia. No longo prazo podem aparecer diminuição da libido, anorgasmia nas mulheres e ejaculação retardada nos homens (não confundir com impotência sexual), constipação e ganho ou perda de peso relacionada ou não a alterações do apetite. Existem medidas que podem ser tomadas em conjunto com o médico para evitar ou reduzir todos esses efeitos indesejados.

            6. A depressão pode piorar antes de começar a melhorar?

              Algumas pessoas podem ter essa sensação de estarem ficando piores com a medicação do que antes de começar a usá-las. Essa sensação pode se dever ao fato de que os efeitos colaterais costumam se manifestar antes do efeito terapêutico. É importante, portanto, que o paciente esteja ciente dessa possibilidade ao iniciar o tratamento e que esse é um efeito passageiro, que irá durar no maáximo uma ou duas semanas.

            7. Por que ainda sinto sintomas de depressão apesar de estar usando antidepressivos?

              Isso pode acontecer durante algum tempo, pois o efeito terapêutico do antidepressivo vai se instalando progressivamente e pode levar algum tempo até alcançar seu efeito máximo, podendo ser necessário o aumento da dose ou, em alguns casos, a associação de mais de um tipo de antidepressivo para que todos os sintomas sejam debelados.

            8. O que acontece se eu esquecer de tomar uma dose do medicamento?

              Se o esquecimento for por apenas um ou dois dias não há maiores problemas. Se você esqueceu de tomar a dose pela manhã pode tomar mais tarde, quando lembrar, ou no dia seguinte. Deve se tomar cuidado para não deixar de tomar por mais de 48 horas pois após esse tempo, em alguns casos, podem aparecer sintomas de retirada. Alguns antidepressivos não devem ser tomados mais tarde, muito perto da hora de dormir, devido ao risco de afetar o sono, podendo causar insônia. Nesse caso é sempre bom pedir oreintação ao seu médico sobre o que fazer.

            9. Pode-se fazer uso de bebidas alcoólicas enquanto estiver usando antidepressivos?

              Os antidepressivos não costumam interargir com o álcool, de modo que não existe o risco de somação de efeitos como acontece com medicamentos "tarja preta". Entretanto, o álcool por si só costuma ter um efeito negativo em relação à depressão, independentemente de a pessoa estar ou não fazendo uso de antidepressivos. O álcool é uma substância psicoativa, que, apesar de ter uso lícito e liberado é uma droga como as outras e que tem efeitos nocivos sobre o organismo e a saúde em geral, especialmente sobre o sistema nervoso, estando portanto seu uso contra-indicado em caso de depressão, pois, entre outros efeitos, o álcool tem efeito depressor do sistema nervoso central a longo prazo, embora no curto prazo possa até mesmo funcionar como antidepressivo de ação curta, que é o que acaba levando muitas pessoas a desenvolver dependência de álcool. Muitas pessoas que se tornam dependentes de álcool ou outras drogas têm como pano de fundo transtornos de humor ou de ansiedade e começam a usar álcool e outras drogas porque percebem que a curto prazo as mesmas aliviam temporariamente a ansiedade, a depressão e outros sintomas, como a insônia, mas, a médio e longo prazo os sintomas se agravam e as pessoas vão aumentado a frequência e a intensidade do uso até que se tornam dependentes. Assim, ao invés de resolver o problema acabam acrescentando outro problema às suas vidas além de agravarem mais ainda a depressão.

            10. Podem ser usados suplementos alimentares ou energéticos juntamente com os antidepressivos?

              Muitos desses suplementos estão contra-indicados, outros podem até mesmo ajudar no tratamento, dependendo dos seus componentes. Portanto, devem ser avaliados caso a caso. Essa questão deve ser sempre discutida com o médico assistente, que poderá avaliar os componentes presentes nos suplementos e orientar sobre se o uso é contra-indicado ou se pode ser utilizado concomitantemente com a medicação. Por exemplo, muitos suplementos contém cafeína, que em doses elevadas pode ocasionar aumento dos sintomas de ansiedade, sendo portanto contra-indicados. Outros, que contém, por exemplo, óleos ômega 3 e ômega 6 e certas vitaminas, como a vitamina D ou B12, podem até mesmo ter ação favorável.

               Caso tenha mais algums questão pode deixá-la no campo de comentários abaixo ou, caso prefira fazer uma pergunta de cunho pessoal anonimamente, utilize o formulário da área de Perguntas e Respostas.

Rubens Mário Mazzini Rodrigues, MD

Médico Psiquiatra - Porto Alegre - RS - CREMERS 9760
A Psiquiatria para mim, mais do que uma profissão, é um caminho para a realização de meu propósito de vida, que é a dedicação à tarefa de buscar, encontrar e ajudar a desenvolver meios de elevar o nível de consciência da humanidade em geral e ajudar a melhorar a qualidade de vida pessoal e dos relacionamentos humanos, de modo a favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais capaz de valorizar e promover a vida, promover a dignidade humana e, assim, contribuir para incrementar as possibilidades de satisfação, felicidade e realização para todo ser humano. Na minha visão a Psiquiatria vai além de apenas diagnosticar e tratar doenças através de uma abordagem exclusivamente organicista e farmacológica. Procuro praticar a Psiquiatria integrada com a Psicoterapia e quaisquer outras técnicas e práticas que possam contribuir para a promoção da saúde e qualidade de vida. A boa saúde mental é decorrência de um cuidado geral e integrado pela vida em todos os aspectos: orgânico, mental, emocional, existencial e espiritual.
A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".

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