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Meu familiar tem Alzheimer. E agora?

Segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer existem no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.

Será Alzheimer?

É normal as pessoas ficarem um pouco mas esquecidas à medida que a idade avança. Atualmente uma em cada 8 pessoas com mais de 65 anos pessoas apresenta essa forma de demência. Em seus primeiro estágios a doença pode não ser percebida pela família, mas há alguns sinais que podem servir de alerta.

Sinais de Alerta: 

Memória e Discurso

No início da doença as memórias de longo prazo usualmente permanecem intactas enquanto as memórias de curto prazo vão se perdendo. A pessoa, por exemplo, pode começar a esquecer conversas que já teve com outros ou pode repetir perguntas que já foram respondidas. A doença também afeta o discurso, de modo que a pessoa pode ter dificuldade para lembrar palavras comuns.

Comportamento

Além da perda de memória a Doença de Alzheimer (DA) pode causar confusão mental e mudanças de comportamento. A pessoa pode passar a se perder ou ficar desorientada em lugares conhecidos. Mudanças de humor dificuldade de julgamento podem acontecer, assim como abandono das atividades normais de higiene pessoal. Uma pessoa que costumava ter cuidado com as roupas pode passar a usar roupas velhas ou que não combinam e esquecer de lavar o cabelo.

Os sinais não devem ser ignorados ou subestimados!

É difícil admitir ou pensar que um ente querido possa estar desenvolvendo Alzheimer, mas é melhor procurar um médico antes do que depois. Mesmo porque o diagnóstico pode ser de algum outra doença que não Alzheimer. Pode até ser um problema de mais fácil tratamento, como hipotiroidismo. E, se for Alzheimer, quanto mais cedo começar a tratar melhor, pois o tratamento funciona melhor nos estágios iniciais da doença.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um exame único para diagnosticar DA. À princípio o médico irá se basear na história do paciente e nas mudanças que está apresentando, nesse sentido os relatos dos familiares próximos são muito importantes. Em seguida é feito um exame sumáriodo estado mental, chamado "Mini-Mental" e testes de avaliação da memória de curto prazo. Exames de imagem como Tomografia Computadorizada e Ressonância Eletromagnética podem ser usados para descartar outros problemas, como um distúrbio vascular, um tumor cerebral ou uma demência pré-frontal (que tem sintomas muito parecidos) e também podem fornecer outras informações sobre o estado do cérebro, tal como evidenciar algum grau de atrofia cortical. 

O que acontece com o cérebro?

A DA causa morte de células nervosas e perda de tecido cerebral. À medida que a doença avança o cortex cerebral vai mostrando sinais de atrofia e as áreas que contém fluído cérebro-espinhal, como os ventrículos cerebrais, vão apresentando alargamento. A lesão prejudica a memória, o discurso e a capacidade cognitiva do paciente em geral.

Tomografia

 

 

 

 

 

 

 

 

Evolução da Doença

A DA toma caminhos diferentes em cada pessoa. Algumas vezes os sintomas pioram rapidamente e levam a uma severa perda de memória e confusam em poucos anos. Para outras pessoas as mudanças são mais graduais e, portanto, menos perceptíveis. Pode levar até 20 anos para a doença atingir os estágios mais avançados e levar à morte. A maioria das pessoas vive de 3 a 9 anos após feito o diagnóstico.

Como a DA afeta a rotina do paciente?

A DA afeta a capacidade de concentração, de modo que o paciente pode perder a aptidão de realizar tarefas como cozinhar ou pagar suas contas. Os estudos sugerem que a dificuldade de manter um orçamento pessoal ou doméstico equilibrado é um dos primeiros sinais da doença. À medida que a doença avança o paciente pode não saber fazer uso apropriado dos utencílios, tal como tentar pentear o cabelo com um garfo. Começa a haver um empobrecimento do vocabulário, pois a pessoa esquece as palavras mais difíceis ou menos usuais. Nas fases mais avançadas pode ocorrer perda de peso (o paciente esquece de se alimentar) e incontinência urinária e fecal (que torna necessário o uso de fraldas).

O Doente deve parar de dirigir veículos?

A perda da capacidade de coordenação, orientação, memória, atenção e concentração se tornam uma combinação perigosa com a direção de veículos. Chega um momento em que o paciente deve parar de dirigir para evitar riscos. Às vezes é difícil para o paciente aceitar essa limitação. A orientação médica é importante nesse sentido, pois o paciente pode não aceitar restrições impostas pelos familiares. Em caso de resistência maior o médico pode comunicar o Departamento de Trânsito indicando a suspenção da licença para dirigir em prol da segurança do paciente e da família.

Poor coordination, memory loss, and confusion are a dangerous combination behind the wheel. If you feel your loved one should stop driving, tell her why. If she won’t listen, ask her doctor to step in. If she still insists on driving, contact the Department of Motor Vehicles for an assessment. Then make other plans for her transportation needs.

Exercício pode ajudar? 

A atividade física pode ajudar a manter a força muscular e coordenação motora. O exercício também pode ajudar a manter o ânimo e o favorecer o estado de humor, prevenindo a depressão e ansiedade. As melhores atividades são as mais simples, como caminar, jardinagem ou até mesmo dobrar roupas, que podem ajudar o paciente a se manter calmo e combater o sentimento de incapacidade e inutilidade. 

Como é feito o tratamento?

Ainda não existe cura para Alzheimer. O tratamento visa diminuir o ritmo da perda de tecido cerebral retardando, assim, o avanço da doença. Existem medicamentos que ajudam a preservar as capacidade mentais e diminuir os sintomas. Por isso, o tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível. 

O papel do cuidador

O cuidador precisa estar apto a desempenhar vários papeis a fim de suprir as necessidades do paciente e assumir por ele tarefas dos quais já não é mais capaz, desde planejar o cardápio, fazer compras, preparar as refeições, cuidar da higiene pessoal, das roupas, pagar contas, dirigir, cuidar da medicação, acompanhar o paciente ao médico e em todas as suas saídas de casa, etc. 

Desafios do cuidador

Nos estágios iniciais o paciente ainda é capaz de compreender o que está acontecendo e pode apresentar sentimentos de vergonha, ansiedade, depressão, insônia, inapetência. Pode ser necessário o uso de antidepressivos e ansiolíticos, para isso é importante que o médico seja informado sobre o estado de humro do paciente no dia-a-dia. Em estágios mais avançados podem surgir sintomas psicóticos, como ideaçaõ delirante paranóide e agressividade que pode se voltar contra o cuidador. É importante entender que esses sintomas se devem à doença e não a uma mudança afetiva em relação ao cuidador.

Síndrome do por-do-sol

Os pacientes de Alzheimer costumam ficar chateados ou mais irritados ao entardecer, podendo permanecer assim o resto da noite. Por isso é importante manter o ambiente bem iluminado e fechar as cortinas antes do entardecer para que o paciente não perceba que está anoitecendo e manter o paciente distraído com alguma coias, ver TV, jogar cartas ou qualquer outra atividade lúdica.

Quando o paciente não reconhece mais os familiares

No início o doente pode ter dificuldade de lembrar nomes ou reconhecer pessoas conhecidas ou familiaers mais distantes. Uma forma de ajudar e manter uma galeria de fotos com o nome das pessoas da família e amigos mais próximos. Nos estágios mais avançados o paciente perde a capacidade de reconhecer faces e pode até regir a pessoas da família como sendo estranhas. Isso pode ser bastante perturbador, especialmente para o cuidador.

Sinais de estresse do cuidador

O cuidador precisa cuidar bem de sua própria saúde para evitar o desgaste físico e emocional. Sinais de que o estresse está sendo excessivo podem incluir tristeza, irritação, mudanças de humor, dor de cabeça, dores musculares, dificuldade de concentração, e dificuldades para dormir. Para evitar o estresse o cuidador deve reservar tempo para atividades de laser, fazer exercícios físicos e conviver com amigos. É importante ter apoio de outras pessoas da família ou de amigos próximos que se disponham. Existem grupos de cuidadore locais e online que podem ajudar tais como da Associação Brasileira de Alzheimer - ABRAZ.
http://abraz.org.br/assistencia-abraz/grupos-de-apoio-ao-familiar-cuidador

Aspectos Jurídicos

Em determinado momento o paciente se torna incapaz de tomar decisões importantes. No início o cuidador pode necessitar de uma procuração tratar de questões como a administração financeira e dos bens do paciente. Nos estágios mais avançados pode ser necessária a interdição judicial. Um advogado deve ser procurado para tratar desses assuntos. É importante que todos os familiares compreendam e estejam a par dessa necessidade, o que nem sempre é fácil. Um cuidado importante é sempre manter os demais familiares informados sobre o que está sendo feito para evitar mal-entendidos e cobranças indevidas.

Home Care

De modo geral os pacientes querem permanecer em suas casas pelo maior tempo possível e relutam em mudar de ambiente. Já não é fácil precisar de ajuda para se vestir, ir ao banheiro e cuidar da higiene pessoal. Dentro do possível, se as condições financeiras do paciente ou da família permitirem, é importante ter um auxiliar de enfermagem algumas horas por dia para ajudar no cuidado. Many people want to stay in their own homes as long as possible.

Residencial Terapêutico

Poderá chegar o momento em que não haverá mais condições de manter o paciente em casa e se tornar necessário lançar mão de um residencial ou clínica geriátrica. Muitas vezes o cuidador ou demais pessoas da família podem ser tomados por sentimentos de culpa em colocar seu ente querido em um "asilo", mas, em determinadas circunstâncias essa pode ser a melhor solução para o paciente e para todos os envolvidos. 

Estágios avançados

Pacientes em estado avançado podem perder a capacidade de falar, caminhar e se comunicar. Eventualmente a doença pode afetar funções vitais como a capacidade de deglutir. Este costuma ser o momento em que se torna inevitável a busca de um local capaz de providenciar cuidados especializados adequados 24 horas por dia.

Ajudando as crianças a entender

As crianças podem ficar confusas, assustadas e até mesmo ressentidas quando alguém da família tem Doença de Alzheimer. É importante ajudar a criança a entender que esses sentimentos são normais e que isso não torna uma pessoa má ou ruim por ter esses sentimentos. Isso evita que se sintam culpadas por ter esses sentimentos. Todas as dúvidas e perguntas das crianças devem ser respondidas e esclarecidas honestamente, não adianta querer esconder o problema das crianças ou dar respostas evasivas, pois as crianças são capazes de pereceber que algo errado está acontecendo e ficarão mais confusas e perturbadas se não tiverem respostas claras. As crianças podem até ajudar no cuidado, por exemplo, através de envolvimento do doente em brincadeiras infantis ou cuidados com a higiente, horários de medicação, etc, dependendo da idade e capacidades da criança. Poder contribuir faz com que se sintam melhor.

É possível prevenir a Doença de Alzheimer?

Existem muitas pesquisas nesse sentido. Cuidados com a dienta e prática de exercícios físico regulares são importantes, assim como evitar o uso de substâncias tóxicas como álcool, cigarro e outras drogas ou até mesmo medicamentos não prescritos. Os estudos demonstram que pessoas que mantem uma dieta Mediterrânea, rica em vegetais, peixe, amêndoas e atividade física regular tem menores chances de desenvolver Alzheimer. Manter atividade intelectual, estudar e aprender coisa novas, especialmente aprender novas línguas fornecem proteção, na medida em que aumentam o número de conexões neuronais.

O Alzheimer é uma doença Psiquiátrica ou Neurológica?
 
A Doença de Alzheimer é o paradigma de uma doença neurodegenerativa, que acomete vários domínios da vida das pessoas que dela sofrem e de seus cuidadores. Desde a primeira publicaçãoo sobre a doençaa por Alois Alzheimer, neurologistas e psiquiatras têm trazido contribuiçõees importantes para o melhor conhecimento do transtorno e de suas consequeências, além de sua etiologia e mecanismos de neurodegeneração. Na verdade a Doença de Alzheimer é uma doença neuropsiquiátrica, pois os sintomas se manifestam tanto na área congnitiva quanto emocional. Frequentemente é necessário o tratamento neurológico e psiquiátrico concomitante e combinado para que todos os aspectos da doença sejam abordados e tratados com propriedade.
 
Fontes:
 

Rubens Mário Mazzini Rodrigues, MD

Médico Psiquiatra - Porto Alegre - RS - CREMERS 9760
A Psiquiatria para mim, mais do que uma profissão, é um caminho para a realização de meu propósito de vida, que é a dedicação à tarefa de buscar, encontrar e ajudar a desenvolver meios de elevar o nível de consciência da humanidade em geral e ajudar a melhorar a qualidade de vida pessoal e dos relacionamentos humanos, de modo a favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais capaz de valorizar e promover a vida, promover a dignidade humana e, assim, contribuir para incrementar as possibilidades de satisfação, felicidade e realização para todo ser humano. Na minha visão a Psiquiatria vai além de apenas diagnosticar e tratar doenças através de uma abordagem exclusivamente organicista e farmacológica. Procuro praticar a Psiquiatria integrada com a Psicoterapia e quaisquer outras técnicas e práticas que possam contribuir para a promoção da saúde e qualidade de vida. A boa saúde mental é decorrência de um cuidado geral e integrado pela vida em todos os aspectos: orgânico, mental, emocional, existencial e espiritual.
A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".

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