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TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO ADULTO E INFANTIL

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) já é conhecido da medicina desde o início do século XX. A rigor o quadro clínico já havia sido descrito muitos séculos antes, inclusive por Hipócrates. Ao longo dos anos recebeu outras denominações, tais como síndrome da criança hiperativa, lesão ou disfunção cerebral mínima e transtorno hipercinético. A TDAH é um transtorno neurofisiológico, devido a alterações funcionais do sistema nervoso central (encéfalo), que tem início na infância, podendo perdurar na idade adulta. Tem origem hereditária e se caracteriza pela presença de 3 grupos básicos de sintomas: hiperatividade, impulsividade e deficiência de atenção.

             
Tipos

            
Atualmente sabe-se que a hiperatividade não está sempre presente, podendo haver 3 tipos de TDAH: tipo hiperativo-impulsivo, tipo desatento (sem hiperatividade) e  tipo combinado (hiperativo, impulsivo e desatento). A hiperatividade muitas vezes desaparece na idade adulta, mas o déficit de atenção e a impulsividade podem perdurar. A hiperatividade se caracteriza por um aumento da atividade motora, de modo que a criança se apresenta quase sempre inquieta, constantemente em movimento, tem dificuldade de permanecer sentada ou de ficar quieta em sala de aula. Quando a hiperatividade é muito intensa a criança tem até mesmo dificuldade para sentar à mesa ou permanecer muito tempo em uma mesma brincadeira, na frente da televisão ou mesmo lendo uma revista ou livro.

            
Na adolescência ou na idade adulta a hiperatividade pode se apresentar na forma de ansiedade, uma sensação de inquietação interna, tendência a fazer muitas coisas ao mesmo tempo e a se manter sempre ocupado e agitado mas, muitas vezes, não conseguindo levar adiante e completar as ações a que se propõe.

             
Quadro Clínico

             
A impulsividade aparece na forma de reações emocionais imediatas em que a pessoa parte direto para a ação sem se dar tempo para pensar ou refletir antes para avaliar a propriedade ou impropriedade da ação. Como o pensar sobre a ação ocorre depois, via de regra  indivíduo se arrepende do que faz, o que é um fonte constante de estresse e de sofrimento desnecessário. Outra característica da impulsividade é a dificuldade de aguardar a vez, esperar em filas ou salas de espera. As crianças costumam intrometer-se na conversa dos outros ou responder perguntas antes de deixar a outra pessoa completar o raciocínio. Essa impulsividade também se manifesta na forma de agir em diversas situações inclusive no trânsito, onde pode ser agravado pelo déficit de atenção, levando a passar no sinal fechado, não respeitar limites de velocidade e outras proibições. O adulto pode ser do tipo explosivo comumente conhecido como "pavio curto".

             
A deficiência de atenção pode se apresentar de várias maneiras, tais como dificuldade de manter a concentração por tempo suficiente, o que leva a dificuldades no estudo e aprendizagem ou na realização de tarefas mais complexas. Costuma haver um grande número de falhas por lapsos de atenção, que induzem ao erro, inclusive em provas e exames em geral. Um adulto, por exemplo, pode ter dificuldade em ser aprovado em concursos, embora tenha domínio da matéria. Essa falha na capacidade de concentração leva com que a pessoa facilmente se desconcentre a partir de ruídos ou movimentos do ambiente. Pode se manifestar, também, na forma de pequenos esquecimentos, dificuldade em lembrar de datas e prazos de pagamentos e até mesmo esquecer o que devia fazer em pequenos lapsos de tempo como, por exemplo, se deslocar de uma peça para outra dentro de casa, na escola ou no local de trabalho.

             
O paciente de TDAH comumente tem muita dificuldade em administrar seu tempo, de programar suas atividades e se organizar de modo geral. Seguidamente esquece onde guardou ou simplesmente largou alguma coisa, esquece as chaves da casa ou do carro, os óculos ou o telefone celular, em lugares os mais diversos e muitas vezes sofre prejuízos em função disso.

              
Prevalência

             
A TDAH é um transtorno bastante freqüente na população geral, atinge entre 3 a 10% das crianças em idade escolar e cerca de 4% da população adulta. Em função dessa prevalência é difícil encontrar-se uma sala de aula que não tenha pelo menos uma criança portadora de TDAH. A diferença entre o sexo masculino e feminino é pequena embora haja uma tendência a se apresentar mais no sexo masculino.

             
Reflexos e Conseqüências

            
Os indivíduos portadores de TDAH, tanto adultos quanto crianças, apresentam um risco aumentado para uma série de situações:

Dificuldade de aprendizado e rendimento nos estudos.

Dificuldades de relacionamento interpessoal na escola, na família e no trabalho. No caso da criança pode levar a reprovações repetidas e várias mudanças de escola. No adulto pode levar a muitas mudanças de emprego ou demissões constantes.

Prejuízo para a auto-estima do paciente.

Propensão ao tabagismo, alcoolismo e ao abuso ou dependências de drogas. Os portadores são especialmente propensos ao tabagismo desenvolvendo quando fumantes uma grau de dependência muito alto à nicotina, uma vez que essa substância é capaz de atenuar parcialmente a deficiência de atenção. Isso representa um risco para a saúde e nunca uma indicação de que a uso do tabaco possa ser "bom" para quem tem TDAH.

Há uma propensão maior a acidentes devido tanto à desatenção quanto à impulsividade. As crianças tendem a se colocar em situações de risco, como subir em árvores, pular obstáculos e tentar fazer coisas impossíveis. Nos adultos há, em especial, um risco maior a se envolver em acidentes de trânsito ou com operação de máquinas.

Há também um risco aumentado de apresentar outras patologias mentais em comorbidade: como depressão, ansiedade, pânico, Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e Transtorno Bipolar do Humor (TBH). Na criança pode haver associação com Transtornos de Aprendizado como a dislexia e Transtornos de Conduta, em especial o Transtorno de Desafio de Oposição e Transtornos de Tiques.           

Diagnóstico

     
O diagnóstico é feito basicamente a partir das manifestações clínicas através da anamnese (história) colhida pelo médico. Muitas vezes a criança vem encaminhada pelo serviço de orientação educacional da escola ou os próprios pais percebem que a criança é excessivamente inquieta, desobediente e agitada. Existem testes, elaborados em forma de escalas e questionários, para ajudar o médico a chegar ao diagnóstico, sendo que nenhum deles é capaz de chegar ao diagnóstico sem a avaliação de um profissional experiente. O Eletroencefalograma (EEG) tradicional não é capaz de detectar alterações nesses pacientes. No entanto, atualmente já está disponível em alguns centros um tipo específico de EEG, o Eletroencefalograma Quantitativo Dinâmico, capaz de confirmar e quantificar o Déficit de Atenção com bastante precisão e especificidade através de critério estabelecidos por Monastra (índice de Monastra).

             
Tratamento

            
O tratamento inclui uma combinação de medidas que começa com educação e orientação da criança, dos pais, do cônjuge, dos cuidadores (inclusive professores), incluindo o uso de medicamentos - quando indicado - e psicoterapia, em especial da psicoterapia cognitivo comportamental. No caso de crianças a colaboração da escola, dos professores e psicopedagogos é de fundamental importância. No caso do adulto é de grande importância a participação do cônjuge, desde o diagnóstico até à procura de atendimento e na continuidade do tratamento. Encontra-se em fase de estudo o tratamento através de uma tecnologia chamada neurofeedback, no qual paciente é conectado a sensores que medem suas freqüências de ondas cerebrais. Estes sinais são decodificados por um computador, que apresenta ao paciente sinais correspondentes às freqüências de onda predominantes – no início do tratamento, usualmente ondas lentas. Nos equipamentos mais modernos, os sinais cerebrais são apresentados sob a forma de um videogame.

              

Medicamentos

             
São utilizados medicamentos pertencentes à categoria dos psicoestimulantes e antidepressivos. A escolha do medicamento vai depender das características de cada paciente e, inclusive, irá depender da presença ou não de transtornos comórbidos. Em pacientes portadores de Transtorno Bipolar ou portadores de dependências químicas, por exemplo, o uso de estimulantes pode estar contra-indicado. Os medicamentos utilizados são bastante seguros podendo ser utilizados sem maiores problemas na maioria dos pacientes, embora nenhum medicamento esteja livre de sintomas colaterais indesejados, cuja presença será avaliada constantemente e levada em consideração pelo médico assistente, tanto na escolha do tipo de medicamento quanto nas dosagens e forma de apresentação. Atualmente existem, por exemplo, medicamentos em apresentações do tipo liberação controlada capaz de diminuir a incidência de alguns efeitos colaterais.

Práticas Orientais

A prática de artes marciais está começando a ser considerada como uma abordagem complementar ao tratamento farmacológico da Síndrome de Déficit de Atenção e Hiperatividade nos EUA. Artes marciais podem ter efeitos duradouros uma vez que a prática regular é capaz de estimular fenômenos de neuroplasticidade. O princípio envolvido é o de Conexão Cinética, um processo que liga o movimento físico ao pensamento, de maneira a obter uma resposta controlada. Obviamente, este processo é a base do treinamento de artes marciais, e começou a ser estudado recentemente com a finalidade de tratar TDAH. O Taijiquan(tai chi chuan) pode ser uma opção especialmente atraente por não envolver, exceto especificamente desejado, treinamento de contato e competição. A ligação entre o corpo e a mente, e o desenvolvimento do aspecto meditativo, são sempre enfatizados.

 

Rubens Mário Mazzini Rodrigues, MD

Médico Psiquiatra - Porto Alegre - RS - CREMERS 9760
A Psiquiatria para mim, mais do que uma profissão, é um caminho para a realização de meu propósito de vida, que é a dedicação à tarefa de buscar, encontrar e ajudar a desenvolver meios de elevar o nível de consciência da humanidade em geral e ajudar a melhorar a qualidade de vida pessoal e dos relacionamentos humanos, de modo a favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais capaz de valorizar e promover a vida, promover a dignidade humana e, assim, contribuir para incrementar as possibilidades de satisfação, felicidade e realização para todo ser humano. Na minha visão a Psiquiatria vai além de apenas diagnosticar e tratar doenças através de uma abordagem exclusivamente organicista e farmacológica. Procuro praticar a Psiquiatria integrada com a Psicoterapia e quaisquer outras técnicas e práticas que possam contribuir para a promoção da saúde e qualidade de vida. A boa saúde mental é decorrência de um cuidado geral e integrado pela vida em todos os aspectos: orgânico, mental, emocional, existencial e espiritual.
A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".

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