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TRANSTORNO DE PÂNICO

 

          O Transtorno de Pânico, (TP) mais conhecido do público como Síndrome do Pânico, é um dos transtornos de ansiedade mais prevalentes no mundo atual. Embora o estresse crônico seja um dos fatores envolvidos na sua gênese, esse não é suficiente para desencadear o transtorno de pânico, é preciso que a pessoa apresente algumas suscetibilidades orgânicas e psicológicas que causam uma maior tendência a desenvolver transtornos de ansiedade. Essas suscetibilidades são em parte hereditárias, em parte adquiridas ao longo das experiências da vida. O TP é mais comum em mulheres, mas também acomete os homens, em geral na faixa dos 21 aos 33 anos. É importante distinguir entre ataque de pânico e Transtorno de Pânico. O fato de uma pessoa ter um ataque de pânico não significa que seja portadora da doença ou transtorno de pânico. O TP se caracteriza por ataques de pânico repetitivos. No ataque de pânico, o paciente é assaltado por um intenso sentimento de ansiedade acompanhado por vários outros sintomas, que podem incluir sensação de falta de ar, aceleração dos batimentos cardíacos, tremores, tontura, cefaléia, náusea. No entanto, o que mais caracteriza o TP é um medo avassalador de perda de consciência ou morte súbita. A ansiedade e o desconforto físico são tão grandes que a pessoa tem a sensação de estar tendo um ataque cardíaco e que logo vai morrer. Muitas vezes o TP vem associado a outros problemas, como o Transtorno de Humor do tipo depressivo (depressão) ou Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Felizmente os tratamentos atualmente disponíveis conseguem controlar a doença rapidamente, normalmente devolvendo o paciente à sua vida normal em poucos dias.

            O Transtorno de Pânico (TP) caracteriza-se fundamentalmente pela ocorrência repetida, inicialmente inesperada, de crises ou ataques auto-limitados de pânico (episódios intensos de medo, com múltiplos sintomas físicos e psíquicos). Tais ataques não necessitam de estímulos desencadeantes diretos específicos, nem resultam de doença física. O curso do transtorno é crônico com altas taxas de recaída e tem como quadros co-mórbidos mais freqüentes a agorafobia,* a depressão, o uso nocivo de substâncias e os transtornos de ansiedade, que podem dificultar o tratamento e piorar o prognóstico.

            O TP é um quadro psiquiátrico bastante comum. Estudos recentes apontando uma prevalência de 3,5% a 3,8% ao longo da vida. Acomete em média o dobro de mulheres em relação aos homens, mais adultos jovens, com o pico de prevalência entre 25 a 44 anos de idade. Alguns autores referem distribuição bimodal do TP, com o primeiro pico para ambos os sexos entre 15 e 24 anos e o segundo pico entre 45 e 54 anos.
 

Sintomas mais freqüentes das crises de pânico

Sintomas físicos (Somáticos) Sintomas psíquicos
Taquicardia, ondas de frio e calor
Parestesias, falta de ar
Tremores, sudorese
Dor no peito, dor abdominal,
Sensação de desmaio, tontura, cefaléia
Náuseas, diarréia
Medo de morrer
Medo de enlouquecer
Medo de perder o controle
Despersonalização /desrealização**


            ** Despersonalização refere-se à sensação de estranhamento de si mesmo (sentimento de perda ou transformação do eu) e desrealização ao estranhamento do ambiente (perda da relação de familiaridade com o mundo)

            O risco mórbido ao longo da vida seria de 3,7% para o sexo feminino e de 1,7% para o masculino, sendo que os homens apresentariam idade de início mais precoce.

            A maioria dos portadores de TP têm seu primeiro contato com o sistema de saúde em serviços de atenção primária, sendo que apenas 22% deles são avaliados inicialmente por psiquiatras. Procuram vários especialistas (principalmente cardiologistas, neurologistas, gastroenterologistas e otorrinolaringologistas), fazem uma série de exames, muitas vezes desnecessários, com altos custos pessoais ou para o sistema de saúde. Além disso, alguns acabam se automedicando na tentativa de buscar alívio para os sintomas.

            As condições médicas mais importantes a serem diferenciadas do TP são: cardiopatias, tireopatias, labirintopatias, epilepsias, anemias, hipoglicemia, feocromocitoma e intoxicação ou abstinência de drogas.

            Na última década, tem havido um crescente interesse em relação à fenomenologia do TP, com alguns autores sugerindo que não se trata de um transtorno homogêneo, com importantes diferenças em relação a sintomas predominantes e a transtornos co-mórbidos. Tal heterogeneidade clínica poderia ter importantes implicações quanto a etiologia, curso e tratamento.

            A semiologia quantitativa do TP tem sido menos estudada do que a de outros transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia ou depressão maior, sendo, na verdade, relativamente raros na literatura os estudos puramente descritivos do TP. Diferenças transculturais podem influenciar a apresentação clínica desse transtorno.

            Assim, o TP é uma doença crônica e recorrente, que costuma gerar importante prejuízo funcional e ocupacional, com limitações dos papéis sociais e das atividades diárias, e que está relacionada a um maior uso dos serviços de saúde e a maior dependência financeira. Apenas 12% dos pacientes se tornam assintomáticos e sem recaídas, predominando a evolução apenas relativamente favorável, sendo necessário o tratamento de manutenção para muitos pacientes, devido a sintomas residuais.

            É uma questão preocupante a possibilidade do não reconhecimento do TP ou de erros diagnósticos também por parte de outros especialistas não-psiquiatras, que devem se familiarizar com as manifestações clínicas do TP. Assim, é importante que se publiquem trabalhos que enfatizem características clínicas do TP para que vários especialistas possam compartilhar do progresso no diagnóstico e no tratamento do TP nos últimos vinte anos.

Rubens Mário Mazzini Rodrigues, MD

Médico Psiquiatra - Porto Alegre - RS - CREMERS 9760
A Psiquiatria para mim, mais do que uma profissão, é um caminho para a realização de meu propósito de vida, que é a dedicação à tarefa de buscar, encontrar e ajudar a desenvolver meios de elevar o nível de consciência da humanidade em geral e ajudar a melhorar a qualidade de vida pessoal e dos relacionamentos humanos, de modo a favorecer o desenvolvimento de uma sociedade mais capaz de valorizar e promover a vida, promover a dignidade humana e, assim, contribuir para incrementar as possibilidades de satisfação, felicidade e realização para todo ser humano. Na minha visão a Psiquiatria vai além de apenas diagnosticar e tratar doenças através de uma abordagem exclusivamente organicista e farmacológica. Procuro praticar a Psiquiatria integrada com a Psicoterapia e quaisquer outras técnicas e práticas que possam contribuir para a promoção da saúde e qualidade de vida. A boa saúde mental é decorrência de um cuidado geral e integrado pela vida em todos os aspectos: orgânico, mental, emocional, existencial e espiritual.
A PSIQUIATRIA é o ramo da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como Depressão, Transtornos de Ansiedade, Transtorno Bipolar, Esquizofrenia entre outros. A palavra Psiquiatria deriva do Grego e quer dizer "arte de curar a alma".

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